publicado em: 09/01/2012 | 14:42
Site Cristianismo Hoje, 27.11.2011.
Autoria de Drew Dick.
Momentos importantes fazem parte da jornada de todo jovem quando ingressa na idade adulta: a chegada à universidade, o começo da carreira, a compra do primeiro apartamento, o casamento e – no caso de muitos cristãos hoje em dia – o distanciamento da fé. Para cada vez mais rapazes e moças na faixa entre os 20 e os 30 anos, tudo o que se aprendeu ao longo de anos e anos de escola dominical infantil, atividades de grupos de adolescentes ou reuniões de oração da mocidade simplesmente parece perder o sentido diante da realidade da vida autônoma e suas múltiplas possibilidades. Motivos para tal esfriamento não faltam: o sentimento de liberdade pessoal, o convite aos prazeres antes proibidos, a ênfase exagerada na vida profissional e no próprio sucesso… Longe da tutela dos pais crentes, jovens que um dia eram vistos na igreja como promissores nas mãos de Deus vão, pouco a pouco, assumindo um estilo de vida mundano. E logo já não são nem um pouco diferentes de seus amigos que jamais estiveram num culto.
Não há, dizem, uma razão específica. O que se alega é um certo cansaço da vida religiosa ou a impressão de que a história do Evangelho, afinal de contas, não é tão verdadeira assim. Todo crente conhece pessoas nesta situação. E a quantidade de gente que deixa a igreja para trás tem aumentado – só no Brasil, segundo o último Censo, já há cerca de 14% de evangélicos confessos sem ligação formal com uma igreja. A tendência é mais aguda entre os jovens adultos, e não apenas por aqui. Na última edição da Pesquisa Americana de Identificação Religiosa, um fato chamou a atenção. A porcentagem de americanos que responderam “sem religião” praticamente dobrou nas últimas duas décadas, crescendo de 8,1% nos anos 90 para 15% em 2008. O estudo também observou que assombrosos 73% deles vêm de famílias religiosas – e quase dois terços foram descritos no estudo como “ex-convertidos”.
O resultado de outra pesquisa também foi expressivo. Em maio de 2009, no Fórum de Religião e Vida Pública, os cientistas políticos Robert Putnam e David Campbell apresentaram uma pesquisa descrevendo o fato de que jovens estão abandonando a religião em “ritmo alarmante”, cinco a seis vezes mais rapidamente do que anteriormente registrado. Fato é que a sociologia já descobriu que a migração para longe da fé cristã, por parte de jovens antes engajados na vida eclesiástica, é um fenômeno crescente. E uma resposta para este fato requer primeiramente uma análise de tal êxodo e o questionamento honesto das razões pelas quais ocorre.
ABANDONO
O presidente do Barna Group, entidade cristã de pesquisas sediada na Califórnia (EUA), David Kinnaman, revela que cerca de 65% de todos os jovens de seu país afirmam ter feito um compromisso com Jesus Cristo em algum momento de suas vidas. Kinnaman entrevistou milhares de jovens para a elaboração de seu livroUnChristian. Segundo ele, a maior parte dos ‘não-cristãos’ da sociedade hoje é formada por gente que em algum momento freqüentou igreja e serviu a Jesus. “Em outras palavras, eles são nossos antigos amigos, adoradores de outrora”, acentua.
Grande parte dos pesquisadores avalia que este dramático número de abandonos espirituais por gente na faixa dos vinte e poucos anos constitui, na verdade, uma etapa no curso da vida de quem chegou à conclusão que vale mais a pena dormir até tarde ou fazer outros tipos de programa aos domingos. O sociólogo Bradley Wright salienta que a tendência da juventude ao abandono da fé é uma característica do cristianismo contemporâneo. A questão do comprometimento moral parece estar na base do processo. Donos do próprio nariz, não poucos jovens de origem evangélica começa a mudar de hábitos, sendo mais abertos a novas experiências e menos refratários àquilo que, durante anos e anos, ouviram ser pecado.
Quando o rapaz ou a moça recém-saída da casa dos pais vai morar com o companheiro, ou encontra na faculdade amigos que fazem convites para noitadas, os conflitos entre a crença e o comportamento pessoal parecem ficar inconciliáveis. Cansados de lidar com o que lhes resta de uma consciência de culpa e relutantes em abandonar aquilo que têm como conquistas pessoais, eles preferem abandonar o compromisso cristão. Para isso, podem usar como argumentos o ceticismo intelectual ou a decepção com a igreja, mas estes são apenas motivos superficiais para esconder a razão principal. A verdade é que a base de crenças acaba sendo adaptada para corresponder às ações.
“Em alguns casos, o processo é gerado por uma decepção com a igreja, levando ao esfriamento”, aponta o pastor Douglas Queiroz, da Igreja Plena de Icaraí, em Niterói (RJ). Há dez anos, ele dedica seu ministério à juventude, aconselhando não apenas novos convertidos como gente que nasceu na igreja mas em algum momento abandonou a fé. “Eles não se identificam mais com a igreja da qual faziam parte”. Para Douglas, esse fenômeno pode ser atribuído, em parte, ao momento em que o jovem vive. Isso se dá pelo distanciamento que existe entre a igreja e a sociedade. O jovem de hoje, detentor de muita informação, não aceita esta relação ambígua, não suporta mais viver numa subcultura ou dentro de um gueto com postura, linguajar e pensamentos distantes do cotidiano”, comenta. Mas existem também, diz o pastor, situações em que não se trata exatamente de um esfriamento espiritual. “A pessoa simplesmente descobre que sua fé não existe, ou seja, nunca houve uma experiência individual. O jovem é cristão simplesmente porque nasceu num lar de crentes e cresceu indo à igreja.”
O texto na íntegra está em http://cristianismohoje.com.br/interna.php?subcanal=23
Nota: Esse é um assunto que deveria preocupar o mundo cristão muito mais do que as guerras por audiência de programas televisivos ou pela web de evangelistas ou mesmo as discussões midiáticas que fazem alguns líderes evangélicos com o nítido intuito de se manter em evidência. Muito se fala de uma maior busca das pessoas por religiosidade, mas dados e pesquisas que mostram o abandono da fé por parte dos jovens é passada por alto sem merecer talvez toda a atenção que deveria.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, apesar de grande parte dos números apresentados nesse artigo de Drew Dick ser referente a entrevistas realizadas nos Estados Unidos, o pequeno compromisso de jovens com a religião ou o progressivo descaso que se vê entre esse público não é problema apenas norte-americano. É problema mundial e que afeta, também, países como o Brasil. A diferença é que aqui as pesquisas são escassas e, quando realizadas, infelizmente não se cria uma estratégia para atuar em cima dos números que ali foram revelados.
Outro aspecto é que tudo que se elenca como razão para o abandono da fé ou desinteresse religioso de jovens praticamente converge em um mesmo ponto: esfriamento espiritual. Justificativas para o distanciamento dos jovens de sua fé são apresentadas em profusão e seguem até a linha de que os cultos religiosos precisam ser mais atrativos porque, no jargão evangélico, “o mundo” oferece coisas mais espetaculares e sensacionais.
Só que algumas perguntas precisam ficar para nossa reflexão em relação a isso tudo e nortear uma busca sincera por saídas para essa situação:
1) Os jovens têm encontrado espiritualidade nas igrejas?
2) Os jovens veem o exemplo de pais piedosos que mostram na prática cristianismo ou só se limitam a cobrar comportamento religioso exemplar?
3) O que o jovem mais precisa é de programas, cultos, ações e projetos incríveis ou de atenção e amizade cristã?
Deixo apenas essas três indagações, mas há várias outras que poderiam gerar trabalhos e pesquisas acadêmicas. Uma coisa me parece bem clara: os jovens possuem a mesma necessidade que qualquer outra faixa etária necessita, ou seja, a atuação de Deus em suas vidas. A diferença está em quanto se investe (e não se trata apenas de dinheiro, mas de tempo, influência, criatividade, etc) nas igrejas para que isso efetivamente aconteça e nos lares.
Cobrar comportamento exemplar dos jovens é fácil e a maior parte da liderança cristã parece focada apena nisso. A parte mais difícil e menos atraente ainda é a de formar jovens cristãos.
Por Felipe Lemos
Este artigo teve "10 Comentários"
oi este texto é muito interessante estou com minha fé abalada pela igreja
pessoas que se dizem ser cristães tem na verdade 2 caras na igreja é o crente e na rua é outro totalmente diferente, ha pessoas egoistas que só penssam em se mesmo, pessoas que so querem se
glorificar e esquecem que DEUS é o unico que merece glorificação.
só mais adorar meu Deus em casa do que para a igreja lá é a verdadeira casa de contedas, rivalidade, brigas e etc.
o lugar onde era para ensinar o caminha da salvação esta sendo destruido pelo esgoismo humano e levando pessoas a perdição.
Lamentavelmente vivo essa situação. As vezes me pergunto sou eu o culpado. Sou de uma geração que observava ao pé da letra os mandamentos. Cresci ouvindo isso é errado, aquilo não pode, etc, etc. Confesso, um pouco de tudo isso procurei passar para meus filhos. Resultado dois estão fora da igreja. O mais novo, vai a igreja por que nos acompanha.
Parabés pela matéria do texto. E faço a mesma pergunta que Jesus fez “por acaso achará fé na terra antes de sua vinda? Estamos as portas de uma tremenda crise da fé cristã. Nossa sociedade não tem mais espaço para Jesus. A matéria do texto é minha preocupação e fico feliz em ler um artigo que aborta o assunto. Este é o primeiro passo admitirmos o problema para então buscarmos as soluções.
Parabéns pelo artigo, é um assunto de muita importância, tenho uma filha de 15 anos o que eu mais peço a Deus são amigos cristãos no sentido real da palavra, mais vale lembrar que nós pais precisamos ser cristão verdadeiros ou seja amar a Jesus. e jamais nos esqueçamos que
“Muito pode em sua eficácia a súplica de um justo”
grande abraço! Telma
Sou diretora jovem em uma igreja pequena e isso realmente era o que eu estava procurando para passar para nossos jovens. Este texto terá resultados maravilhosos e renovará a nossa igreja. Faremos um culto J.A, através dele. Parabéns. Que Deus continue abençoando a nós todos para que não venhamos sair dos caminhos dEle.
é preciso se converter ao invés de frequentar uma Igreja
Olá.
Amei o texto,pois ele realmente descreve a realidade de muitos jovens que saem da caminhos do Senhor.
Graças a Deus,somente a Ele, eu nunca sai dos pés de Cristo, mas tenho muitos amigos que estão fora da igreja, e tenho orado sempre por eles.
Se você querido jovem, sentir vontade de se afastar da igreja, lembre-se que temos que olhar pra Cristo, não importar a situação que você esteja passando. Mantenha sempre teus olhos fixos em Cristo. Busque força no Senhor,e : ouça hinos de louvor, ajude alguem, leia biblia, faça de tudo para não desistir.
Um grande abraço.
Olá …..
Irmãos em cristo de toda parte do mundo amei o texto
e me identifiquei com o mesmo tem dias que não sinto mais vontade de ir a Igreja, sinto como tivesse a ouvir mesmas coisas, mudanças significativas não vejo….Em tempo dicidi fazer parte de um grupo de Oração da mha igreja a minha fé xtava a crescer mas essas reuniões trazem muitos problemas com a minha esposa segundo ela temos terminado muito tarde……………Agora dicide não ir mas a igreja até encontrar o verdadeiro motivo que me leva a Igreja cansei de ir a Igreja so por costume……..
PEÇO AOS IRMÃOS QUE OREM A FAVOR DA MINHA FÉ E DA MINHA FAMILIA…
Que a paz do senhor esteja com todos vcs desta grande familia…
PARABÉNS PELO ARTIGO! Sei que este é um assunto de suprema importância, e me preocupo muito com o número de pessoas que estão abandonando a sua fé. Podem existir muitos motivos e até desculpas para acontecer isto, mas, será que a comunhão, dedicação e entrega a Deus estão acima de tudo? O nosso exemplo deve ser sempre o nosso Jesus, pois, quando olhamos para o ser humano frágil e fraço, sujeito a tentações, por ser pecador, concerteza nos decepcionamos e por isso, estamos sujeitos a esfriar na fé e até mesmo abandoná-la. Meus queridos, que possamos buscar mais ao Senhor, através do estudo da bíblia e tudo o que nos leva a estar mais perto Dele.
Estou orando por todos! E que Deus nos abençoe nesta caminhada que é rumo as Manções Celestias!
Um abraço!
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outro tema legal que vai virar tema de culto Jovem e com debate sobre o assunto! muito bem aplicado o artigo de Felipe Lemos